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segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

As crianças vão bem, obrigada.

Quando iniciamos nosso Plano Canadá, muita gente se mostrou preocupada e/ou curiosa em como seria a adaptação das crianças, como lidariam com o frio, com a nova escola, língua, amigos, etc. Posso afirmar que essa nunca foi a minha maior preocupação. Sempre achei que, apesar de não ser uma mudança fácil, eles tirariam de letra e não nos dariam trabalho. Felizmente minhas expectativas estavam certas, pelo menos nessas seis primeiras semanas. Os meninos estão tranquilos e incorporados às tarefas do dia à dia.


Tomás já tem colegas de classe e conta que muitos gostam das mesmas coisas que ele, como animes, mangás e futebol. Já fez provas e hoje ele levou pra escola o seu primeiro projeto: uma maquete do sistema solar feita 90% por ele (eu ajudei na parte da cola quente). A cena foi típica de filme: ele entrando no ônibus amarelo, carregando sua maquete pra entregar na escola. Já encontrou um amigo Brasileiro na escola, que por coincidência mora aqui pertinho e a mãe vai estudar no mesmo college que eu! Mundo ovo! Ele também vinha nos pedindo pra fazer futebol, esporte que praticava sempre com os amigos na quadra do prédio e no fim de semana passado achamos uma aula bem bacana, e já matriculamos. Agora todos os sábados ele treina no North York Cosmos Soccer Club e tem até uniforme. Tá feliz da vida! 

Joca também não tem dado trabalho. Parou de reclamar do frio, mas sempre pergunta quantos graus tá fazendo naquele dia, antes de sair de casa. Recebemos fotos dele todos os dias na escola. Tá sempre sorridente e  prestando atenção. Fica feliz em poder brincar no pátio de neve todo dia e descobriu que tem um amigo da turma que mora aqui no prédio. Agora é minha missão descobrir mais sobre isso.... Vira e mexe pego ele cantarolando músicas em inglês, que aprende na escola. É bem curioso com palavras e faz muitas perguntas. Outro dia minha mãe perguntou à ele como fazia pra ir ao banheiro na escola e ele disse que às vezes lembrava como falava e que quando esquecia, chamava a professora e apertava o pinto pela calça. Ele se faz entender e nós choramos de rir! Fim de semana, numa situação onde estava com outras crianças num parquinho, tentava se comunicar em inglês do jeito dele.

Eles tem se divertido mais juntos, conversado mais e vejo uma união que não via tanto no Brasil. Claro que tem a falta de opção, mas o que importa é que tô curtindo essa fase  fraterna e de companheirismo. Sexta passada não teve aula, foi conselho de classe e aproveitamos pra visitar o Legoland aqui de Toronto. Apesar de ser completamente diferente do parque da Florida, eles adoraram e brincaram bastante juntos, afinal aqui em casa somos doidinhos por Lego. 

A maior dificuldade tem sido a questão da comida. Não pelo sabor, mas por precisarem almoçar na escola. Meus meninos sempre foram meio chatos pra comer e não ter ninguém pra dar um pressão na hora do almoço faz com que as marmitas voltem mais cheias do que vazias. Mas tudo bem, isso faz parte e eu sigo tentando melhorar meus poucos dotes culinários  e reforçando a qualidade na hora do jantar. Nada que o tempo não ajude a resolver. :-)












sábado, 23 de dezembro de 2017

A escola

Definido o aluguel, a próxima parte da brincadeira é achar a escola pras crianças. Pra isso, temos algumas opções. escola privada (sem chance, cerca de 14 mil dólares canadenses anuais), escola católica (não curto a ideia) e escolas públicas. Fomos nessa.O primeiro passo é ir ao School Board, algo como uma secretaria de ensino, pra ver qual a escola da sua região. Aqui, no caso de escolas públicas, você é designado pra escola mais próxima do seu endereço. Até existem exceções, mas normalmente é assim. Então, de posse do nosso contrato de aluguel, lá fomos nós ao School Board, que fica bem pertinho, a uma quadra da nossa futura casa.


Tivemos aqui uma pequena saga... Na nossa primeira visita, fomos no dia do almoço de confraternização de fim de ano dos caras, e não conseguimos resolver nada. Voltamos no dia seguinte e descobrimos que a escola dos meninos seria a Avondale Public School e fomos instruídos a ir até lá fazer a matrícula. Aí vem a segunda parte da saga. Seguimos o google mapas pra chegar lá à pé (dá uns 12 minutos da nossa casa nova), sem perceber que a escola está temporariamente funcionando em outro endereço, pois estão fazendo uma nova já há 3 anos. Ela ficará pronta pro início do ano letivo de 2018 (setembro). Resultado, andamos até lá e demos de cara com uma obra... Esse dia tava bem frio, ventando, foi bem cansativo! Enfim, descobrimos o endereço certo e resolvemos pegar um uber!
A escola onde estão temporariamente é uma Middle School, para crianças entre 6o e 8o ano e estão dividindo o espaço com a Avondale. É bem aquele estilo de escola que vemos nos filmes, sem tirar nem por. Mas nesse dia não pudemos fazer a matrícula, pois tinha uma papelada burocrática pra preencher e marquei de voltar lá no dia seguinte. 

Mas pra resumir, meninos matriculados! A coisa boa, é que vão pra mesma escola. Eu tava meio grilada, pq TOmás vai pro 6o. ano e em muitos casos é num local diferente do Senior Kindergarden, do Joca. Mas a Avondale vai até o 8o e isso garante uma entrada mais tranquila dos dois. O que não é tão legal é que essa escola temporária é mais longe e não dá pra ir à pé. Entretanto, eles oferecem gratuitamente ônibus escolar daqueles amarelinhos (de filme tb) na ida e na volta, o que facilita. Também é legal pensar que ano quem, quando voltarem pra escola original, ela está novinha em folha! Dá só uma olhada nessas fotos que conta todo o processo de construção da nova esola 👉👉http://schoolweb.tdsb.on.ca/avondale/Home/The-NEW-Avondale-171-Avondale-Avenue/The-Photo-Page

Coisas interessantes: não preciso comprar material escolar como livros, cadernos, etc. Tô vendo minhas amigas no Brasil em pânico com os preços e isso é um alívio. Os meninos tb não tem uniforme, vão de roupa normal. É obrigatório ir de bota e snowsuit no inverno e eles deixam um tênis lá pra trocar quando chegam. Tem também um cabide pra cada um pendurar seu snowsuit. As crianças brincam no pátio aberto mesmo com frio e neve e levam almoço de casa em lancheiras térmicas. Claro que me preocupo um pouco com a chegada dos meninos num ambiente novo, sozinhos, sem conhecer a língua, mas fico tranquila em saber que só nesse ano letivo a escola já recebeu 22 alunos estrangeiros e que estão super acostumados a lidar com isso. Enfim, agora é esperar chegar o dia 08 de Janeiro pra vida nova dos dois efetivamente começar, já que agora estão em recesso de Natal!

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Os amigos que os filhos me deram

Posso ficar horas aqui dissertando sobre as delícias de ser mãe. Sobre como meus filhos trouxeram vida à minha vida, como me fortalecem, me dão coragem e me ensinam. Ser mãe é uma tarefa dura, cheia de desafios e responsabilidades, mas com uma quantidade infinita e incrível de benefícios. E posso dizer, seguramente, que uma das coisas mais importantes que a maternidade me trouxe chama-se AMIGOS.

Meus filhos tem amigos incríveis. Alguns, desde o berçário, com uma cumplicidade que mesmo a distância, por não estudarem mais na mesma escola, conseguiu apagar. Já outros são recentes, mas com uma conexão tão, tão forte, que não fosse eu agnóstica, acreditaria ser coisa de outras vidas. E muitos foram descobertos ao longo dos anos, no dia a dia mesmo. O bacana é que eles se misturam, se conhecem, trazem mais amigos e formam conexões ainda mais fortes.

Quando a gente vira mãe, tem duas opções: se jogar no mundo dos  filhos, conhecer e vivenciar seus amigos ou ser mais reservado, sem se misturar tanto. Eu escolhi, de cara, a primeira opção. Mergulhei de cabeça nesse mundo quando meu primeiro menino nasceu e não saí mais: marcava saídas, inventava de trazê-los aqui pra casa, planejava festas do pijama, organizava presentes das professoras, enfim... eu gosto de fazer parte desse meio. E nesse mergulho vieram as mães dos amigos, todas no mesmo barco que eu, buscando fazer parte da vida dos pequenos, aprendendo, acertando e errando sobre maternidade. Tarefa complicada de se fazer sozinha...

E vou te dizer... eu tive uma sorte imensa! Os amigos dos meus filhos são incríveis porquê tem mães incríveis. E assim como eles, nós nos conhecemos, misturamos e formamos belas conexões. Viraram minhas amigas, muitas daquelas que a gente conta segredo, divide angústias, viaja, faz planos e quer que faça parte da nossa vida mesmo, sabe?

Tô contando tudo isso pra dizer que hoje fizemos um encontro com os amigos de escola, pra celebrar o fim do ano e nos despedir. E foi tão bom, tão gostoso! Tavam lá todas (ou quase todas) aquelas carinhas que eu conheço há tanto tempo, algumas que literalmente eu vi bebê e conheço há 8, 9 anos. E tavam também as mães, com quem eu já dei tantas risadas em festinhas e discussões de whatsapp, que viraram amigas, cúmplices e parceiras de chopp (por que não?).

Há 9 anos nós escolhemos a escola que os meninos estudam até hoje. Uma escolha bem pautada na filosofia proposta e  no que acreditamos como ser o certo em educação. Nesse tempo, renovamos anualmente as nossas convicções de que ali era o lugar certo pros nossos filhos, onde estariam cercados de amor, ensinamentos, valores e, claro, amigos. Sou apaixonada pela escola deles e sei que essa vai ser uma das questões mais difíceis de acostumar no Canadá. Ousaria dizer que tanto pra eles quanto pra mim.

Sou muito agradecida pela nossa escolha de pais, ter nos levado à pessoas tão bacanas e que compartilham do nosso conceito de SERMOS PAIS . Muitas delas estavam lá hoje à noite, celebrando a nossa decisão, nos munindo de coragem pra seguir em frente e desejando sorte. Tê-los por perto hoje deu uma pontinha de tristeza pela saudade que ficará, mas a certeza de que nossos caminhos estão no rumo certo. E sei que apesar da distância, estarão juntos de alguma forma, e  torcendo por nós. Da minha parte, tudo que posso dizer é: obrigada por fazerem parte da vida dos meus filhos e da minha. E que tem um cantinho esperando pra receber vocês em Toronto! Eu vou amar receber as amigas, e as crianças também!


sábado, 18 de novembro de 2017

Aula aberta

Ontem tive na escola do caçula, num projeto de pais em sala, pra falar sobre o Canadá.

Bem, eu não sei muito (ainda) sobre o Canadá, mas acho que sei mais do que os pequenos de 5 anos e seguindo a dica de uma amiga e professora da escola, pensei que seria uma boa forma de iniciar a transição escolar dele, trazendo pro meio dos seus amigos um pouco do que esperamos encontrar.



(Vale um parênteses aqui. Tava marcado pra eu ir na quinta, mas eu esqueci!!!!! A cabeça tá tão cheia de coisas pra resolver que eu simplesmente não lembrei e só me dei conta quando fui deixá-lo na escola e a professora comentou que já já me chamava pra eu entrar em sala... 😱😱😱😱 Não pude fazer nada a não ser me desculpar mil vezes e pedir pra voltar no dia seguinte. Logo eu, sempre tão certinha com as coisas da escola... tsk, tsk)




Enfim, foi uma experiência incrível! Cheguei contando que a gente estava de mudança pro Canadá, mostrei fotos, mapas, contei sobre a neve, os esportes mais praticados, a famosa maple leaf e falamos quais os animais mais comuns por lá. As crianças foram super receptivas, muito curiosas e estavam cheias de perguntas e afirmações. E o mais legal, meu filhote com uma cara linda de orgulho por estar tendo seu momento especial ali. 💕



Terminamos com uma história do Scaredy Squirrel, um personagem de uma série de livros infantis bem famoso por lá - dica de uma amiga querida que mora há anos em Calgary - que eles não conheciam e curtiram bastante!

Saí de lá com a deliciosa sensação de ter trazido novidades e instigado a imaginação dos pequenos, além de ter feito um carinho enorme no meu filhote. Ah, e ainda mais admiração aos professores, por que cuidar dessas turminhas não é moleza não, viu!?


Encontros e Despedidas

Julho e Agosto foram meses especias e muito corridos! Tive minhas primeiras visitas em casa. E que visitas! Primeiro, meu pai, que ficou...