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quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Malas prontas


Por ter trabalhado por mais de uma década em rádios e gravadoras, a música sempre fez parte da minha vida. Hoje não me sinto mais tão ligada no lado profissional, mas minha cabeça ainda funciona na base das trilhas sonoras, costurando historinhas com as letras e melodias que armazenei na cachola. Ontem foi a vez dos Paralamas do Sucesso, e durante todo o dia me veio à mente o trecho de "Tendo a Lua" que diz: "Eu hoje joguei tanta coisa fora, e vi o eu passado passar por mim..." Eu algum ponto da música o Hebert canta que "a casa fica bem melhor assim..." e eu confesso que, apesar da dorzinha no peito por ver nosso apartamento vazio, tive também uma sensação deliciosa de leveza e alegria.







Depois de quase 10 meses de planejamento, ansiedade e espera, em poucos dias tudo tomou o caminho esperado. Todos os móveis e eletrodomésticos retirados, tudo vendido foi entregue, todas as roupas em malas, vendidas ou doadas, todos os objetos em caixas.
Eu e Oliver formamos uma dupla e tanto. Fico muito feliz de perceber que nosso casamento, nossa parceria, funciona em diversos aspectos. Juntos conseguimos esvaziar e limpar nosso apartamento em 4 dias, nos organizando de forma super eficiente na hora de fazer as malas e caixas. E vou te dizer, foi um puta trabalho! Depois de separar tudo que segue conosco, ainda tinha que separar nas malas, de forma que a gente não ultrapassassem pesos e medidas. Pesa daqui, mede dali, rearruma acolá e no final, nossas 4 vidas se resumiram em 3 malas grandes, 4 de bordo, 5 caixas e muito, muito amor. E pra terminar, comemos nosso último japa por lá com o chão como tatame e caixa como mesa de jantar. Só faltou luz de velas. 😀 



Meu apartamento hoje está em vistoria pro novo inquilino e já estamos na casa da minha mãe, onde fui recebida com Nutella, carinho e mimos inspiradores. Tem coisa melhor?



sábado, 2 de dezembro de 2017

No olho do furacão


Daqui a algumas semanas, vamos olhar pra trás e rir dessa loucura que está sendo o fim de semana. Embarcamos em 6 dias e temos até depois de amanhã pra esvaziar o apartamento.  São oito da noite, minha casa está de cabeça pra baixo e eu estou exausta.  Hoje já saíram daqui umas 30 sacolas de lixo, outras 10 pra doação, cama de solteiro, escrivaninha e uma boa parte, física, da nossa história.

Os armários estão quase vazios, tem sacolas nomeadas com itens vendidos a serem retirados espalhados pela casa e muitas malas e caixas ainda esperando a hora de fazê-las. Decidimos esvaziar tudo aquilo que não vamos levar antes de colocar na bagagem o que levaremos e fico impressionada com a quantidade de coisas que ainda tem aqui. Não acaba! Me sinto naquele reality "acumuladores". 

Temos que  esvaziar a geladeira. Tem que desligar a Net. Tem que trocar os endereços no banco. Tem que mandar mensagem pro host do airbnb e pra corretora em Toronto. Tem que separar documentos. Tem que dar atenção aos meninos e aos meus pais. Tem que lavar roupa e dar tempo de secar. Tem que comprar remédios pra levar. Tem que ir na formatura do filho e chorar igual criança. Tem que pedir comida pq eu não tenho mais utensílios pra usar... Tem que dar certo! Vai dar certo!


As crianças estão tranquilas. Tomás já sem cama e indo dormir na casa do amigo, Joaquim já sem brinquedos, levando numa boa. Segunda mudamos pra casa da vovó por alguns dias, com malinha pro calor carioca e mala pro frio de Toronto. Logística difícil essa, viu!? Ontem tomamos nosso último vinho no apartamento. Nosso brinde semanal fez parte dos nossos últimos meses, numa forma de nos ajudar a aguardar pelo visto, pensar no futuro e curar os medos e as tristezas. A cada tim-tim, uma comemoração, uma apreensão... Ontem, brindamos o futuro. E estamos ansiosos por todas as garrafas que abriremos nas próximas semanas, pra nos aquecer no frio e comemorar cada pequena vitória no Canadá.

A cabeça já não raciocina muito por hoje. Pensa na casa, na família e no avô, aquele da despedida da semana passada, que ontem foi internado por coisas da vida, da idade. É muita coisa junta, muita emoção, muita exaustão, mas também muita certeza de que eu preciso e de que vou dar conta. Ainda não sei como, mas vou!

Encontros e Despedidas

Julho e Agosto foram meses especias e muito corridos! Tive minhas primeiras visitas em casa. E que visitas! Primeiro, meu pai, que ficou...