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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Teste de direção


Já comentei aqui sobre como a gente tem que recomeçar muitas coisas do zero quando decide morar fora. Hoje completei mais uma desses recomeços com êxito, mas com uma dose grande de adrenalina e expectativa: tirei minha carteira de motorista definitiva!

Acho que já expliquei antes, mas vamos lá... Aqui em Ontário, província que moro no Canadá, a carteira de motorista é tirada em algumas etapas. Primeiro, aos 16 anos, você se torna apto a tirar a G1, carteira inicial, que precisa de uma prova escrita e 20 horas de aulas de direção (contei um pouquinho de como foi minha prova alguns posts atrás). Essa G1 te dá direito a dirigir cheio de restrições e somente com uma pessoa que tenha carteira canadense há mais de 4 anos. E você é obrigado a ficar com ela por um tempo, 12 meses acho, pra poder tentar a G2, carteira intermediária, que te dá um pouco mais de regalias, mas ainda não é a mais completa. A G2 é tirada através de um teste de 15 minutos de direção. E então, só depois de 8 meses da G2 é que você pode fazer prova pra G full, como chamam a carteira final, com um teste que dura cerca de meia hora.

Acontece que quem tem histórico de mais de 3 anos de direção no seu país natal, pode fazer a G1 e aplicar direto pra G, sem precisar esperar os 20 meses. E foi o que fiz: após o teste escrito (no meu caso, como já tinha carteira, não precisei das 20 horas de aula), foi a vez de aplicar pra G full, uma vez que com as restrições da G1, de nada ela me adiantava. E basta dar um google no assunto, que você vai encontrar uma penca de lugares falando sobre as pegadinhas do teste de direção, tanto pra G2, quanto pra G. Muita gente reprova, inclusive. A gente paga uma taxa de 89 CAD e ainda tem que ir com o próprio carro até o centro de exame. Ou no meu caso, que não tenho carro, alugar o serviço de alguém pra emprestar o carro. E foi aí que conheci o Jack, um polonês bem simpático, que trabalha com isso há mais de 20 anos aqui em Toronto e cujo contato apareceu pro meu marido através de um dos tantos grupos de whatsapp do Canadá. O serviço que ele oferece é te buscar numa estação de metrô duas horas antes do teste e rodar algumas vezes, com o candidato na direção, as possíveis rotas de teste, além de alugar o carro pra prova em si. Essa prévia é uma forma bem interessante de se familiarizar com o caminho e aprender alguns macetes.

Como já tinha lido muito sobre pessoas que não passaram por conta das pegadinhas e diferenças com o Brasil, pedi a ele pra fazer uma aula extra, uns dois dias antes do teste, pra ter mais tempo de me preparar. O problema é que a aula extra ele às vezes divide com outra instrutor, Peter, também polonês e simpático, mas muito agitado e que me deixou super nervosa na aula. Me senti uma adolescente que recém completou 18 anos e nunca havia dirigido, de tanto que o cara me corrigia e reclamava do que eu fazia. Foram quase duas horas de aula nesse stress e tive quase certeza de que falharia no exame. Vim pra casa preocupada.

Daí hoje, ao me encontrar com o Jack, fiquei feliz de ver que ele é um cara tranquilão, super relax, que me deixou bem à vontade e, aos poucos, foi me acalmando. Me mostrou o caminho, as pegadinhas, conversou sobre amenidades e quando chegamos no centro de testes em Burlington, cidade vizinha de Toronto, eu tava bem mais confiante e tranquila.

-- Um aparte aqui pra explicar algumas coisas. Claro que dirigir é igual em qualquer lugar, mas os examinadores canadenses são bem rigorosos com algumas coisas como checar o ponto cego em ambos os lados (além dos espelhos) em cada virada ou mudança de faixa. Mas tem que checar meeeeesmo, virando o pescoço! Outra coisa importante é a questão da entrada nas estradas, que PRECISA ser feita a 100km/h, senão você não passa. Só que fazer isso num carro que você não conhece e num lugar que você não tá acostumado a dirigir, não é tarefa das mais fáceis. Fora que todos nós temos vários vícios de direção, que podem levar tudo a perder por melhor motorista que seja. Também importante comentar que o Jack marca a prova em Burlington pois lá as ruas são bem mais tranquilas que Toronto, o que faz com que a prova seja menos complicada.  --

Voltando à prova, o centro de exames fica no estacionamento de um shopping. O examinador se apresenta, faz algumas perguntas e entra no carro pra te dar as direções do que fazer nos próximos 30 minutos. Sem muita conversa, só "turn right", "exit left", coisas do tipo. E assim fui, só eu e o tal do Phil, meu examinador. Cometi alguns erros  e fiquei meio tensa pois ele comentou na hora, de forma tranquila, mas comentou. Mas consegui não fazer erros graves, lembrei sempre dos tais "blind spots" e da velocidade da highway. No fim das contas, voltamos pro lugar de partida e ele me falou que apesar dos pequenos erros, ele viu que eu já dirijo há bastante tempo e que eu tinha passado. Ufa!

Menos uma coisa pra resolver e mais um passo dado nesse monte de novidades que o Canadá me trouxe. O bacana é que me sinto fortalecida a cada passo que eu dou e sinto que sou capaz de qualquer coisa. O melhor é que agora já podemos alugar ou comprar carro (não que isso esteja nos planos imediatos), o que dá uma sensação extra de liberdade. O melhor é que tudo aconteceu num dia lindo de sol que parecia primavera com temperatura na casa dos 15 graus. Como dizem por aqui, "the best is yet to come...".

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Boa sorte ao triplo

Apesar de ter dirigido a minha vida toda, não sinto tanta falta de carro aqui. Moramos do ladinho do metrô, numa estação com trens e ônibus pra todos os lados e estamos tentando nos adaptar a fazer as coisas à pé, nas redondezas, sem muito stress. Até fazer compras a gente já tá se adaptando a fazer sem carro, mas é claro que vez ou outra faz falta e hoje foi uma dessas vezes.

O ônibus escolar atrasou de 30 a 40 minutos por algum motivo que não sei dizer (algum acidente no caminho, provavelmente) e o frio hoje de manhã tava brabo: -11 (o que me faz crer que São Pedro é bipolar em qq lugar do mundo, pois ontem tava +6). A gente tem como monitorar o tempo do ônibus, mas já tava lá embaixo com os meninos quando nos demos conta do atraso. Vários pais começaram a voltar pra casa, pra pegar seus carros e entregar as crianças na escola. Ficar ali no frio não tava bacana... Mas a gente, sem carro, fica meio sem saber o que fazer nessas horas. Tomás queria pegar o metrô, mas é uma caminhada de uns 15 minutos de lá até a escola e tava bem frio pra isso. Já tinha decidido esperar, quando uma vizinha simpática ofereceu de levar os meninos. Nunca tinha visto a moça na vida e expliquei que aceitaria se eu pudesse ir junto e ela topou. Katherine, coreana, mãe de duas meninas e um menino e há 12 anos no Canadá, foi a minha sorte número 1 do dia. E ela ainda me deixou depois na estação de metrô pro meu caminho de volta. Uma fofa! Ufa! 😰

Depois fui fazer a primeira parte da minha carteira de motorista. Aqui a carteira é dividida em 3 classes: G1, G2 e G full, sendo a G1 pra iniciantes e a G full a completa. E todo mundo tem que fazer todas as etapas. Os Canadenses demoram uns 2 anos entre dar entrada da G1 e chegar a G full, sendo que a G1 tem limitações de horário e local pra dirigir e você tem que estar sempre acompanhado de um motorista mais experiente. Processo meio mala pra quem já dirige há 22 anos... Felizmente existe uma "ponte" pros Brasileiros que dirigem há mais tempo e, pra isso, eu precisei levar ao Consulado do Brasil a minha carteira + lista de infrações no Detran, pra pegar uma declaração de tempo de direção traduzida. Com esse documento em mãos, fui a uma agência do governo pra dar entrada na G1. Tive que fazer um rápido exame de vista e um teste escrito meio estranho. Estudei bastante pra ele, mas num aplicativo e lá era no papel!! 😠 Jurava que tava me dando mal, mas felizmente deu certo e passei com louvor! Minha G1 chegará em casa em até duas semanas, vale como id e eu já posso parar de andar com o passaporte. O próximo passo é dar entrada direto na G e isso só é possível pq tirei esse papel no consulado. Pra essa fase, terei que fazer algumas aulinhas de auto-escola, pra me certificar que não vou cair em erros bobos, mas enfim, passo número um foi dado e essa foi a segunda sorte do dia! 

Na volta, a caminho de casa, Oliver me liga. O alarme de incêndio do prédio estava aos berros... Ele acabou descendo os 33 andares de escada, dando de cara, na portaria, com 6 (SEISSSSS!!!) caminhões de bombeiro daqueles imensos do lado de fora. Sorte do dia número 3: as crianças não estavam em casa e não passou de um susto, um alarme falso. Mas ficou a lição de que é importante explicar pras crianças como proceder nesses casos e que elas não precisam se assustar, até mesmo porque o troço faz um esporro danado!

Enfim, um dia bom! Torcendo por mais momentos de sorte como esses :-)

Encontros e Despedidas

Julho e Agosto foram meses especias e muito corridos! Tive minhas primeiras visitas em casa. E que visitas! Primeiro, meu pai, que ficou...